quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Famosa cena de Último Tango em Paris

Último Tango em Paris (Last Tango in Paris, 1972), do diretor italiano Bernardo Bertolucci, foi um dos filmes mais influentes e controversos do século XX. Segundo a crítica Pauline Kael, do The New York Times, foi responsável por ter “mudado a face de uma forma de arte, um filme que as pessoas esperam por ele há muito, muito tempo, desde que filmes existem”. Exagero ou não, a afirmação de Pauline emerge de um cenário de completo alvoroço causado pelo longa franco-italiano. As controvérsias acerca da obscenidade e beleza da obra surgiram em profusão pelo mundo: no Brasil, o filme só pode estrear em 1979; na Itália, em 1975, e mesmo assim o diretor, italiano, foi processado por obscenidade; e no Chile de Pinochet o filme ficou no limbo por trinta anos! 

Maria Schneider em uma das cenas
na banheira do apartamento
Baseado em uma fantasia erótica de Bertolucci, Último Tango em Paris conta a tórrida história de amor entre Paul (Marlon Brando) e Jeanne (Maria Schneider), que, ao se encontrarem em um apartamento posto para aluguel que despertara o interesse de ambos, passam a ter relações sexuais no local, sem trocar nenhum tipo de informação pessoal, nem mesmo seus nomes. 

Incrível como, além de obter sucesso e causar polêmica instantaneamente, o filme foi artífice de desentendimentos e catalisador de emoções pulsantes entre seus protagonistas. Maria Schneider sentiu-se humilhada em algumas cenas – em especial a de sodomia, abaixo –, o que a levou a declarar que o filme fora o único arrependimento da sua vida. A atriz francesa, depois de Último Tango em Paris, negou-se a fazer cenas de nudez até a morte, no início deste ano. 

Maria e Brando durante as filmagens
Com apenas 19 anos na época do filme – Marlon Brando tinha 48 –, ela ficou marcada como símbolo sexual durante toda a carreira, e o status de estrela conferido pelo trabalho como Jeanne a levou a sérios problemas psicológicos, que culminaram no consumo de LSD, cocaína e heroína. Paradoxalmente, Último Tango em Paris foi responsável por levar Maria, até então uma atriz desconhecida, aos holofotes da sétima arte. Marlon Brando, por sua vez, sentiu-se “usado” por Bertolucci, e chegou a declarar que nunca mais faria um filme como aquele. Em homenagem póstuma à morte de Brando, Bertolucci disse que o ator americano havia se tornado imortal ao morrer.

A cena de sodomia 

Em entrevista ao jornal inglês Daily Mail, em 2009, Maria declarou que se sentiu estuprada por Marlon Brando, e que suas lágrimas na cena eram verdadeiras. De acordo com Maria, a cena não estava no script original, e teria sido idealizada pelo próprio Marlon Brando. Ela, a “vítima” da cena, só ficaria sabendo da filmagem no próprio dia. 

A cena começa com Jeanne entrando no apartamento, aparentemente vazio. Até que Paul aparece, deitado no chão, e pede a ela que busque manteiga na cozinha, material que ele utiliza para facilitar a penetração durante a cena. Obviamente, essa sequência foi o estopim para a onda de censuras ao filme que se espalhou pelo mundo. 

E essa não deve ser a última aparição do mágico filme de Bertolucci no Frames para Sempre. Entre tantas outras cenas marcantes do filme, será destacada em breve uma amostra da sofisticada técnica utilizada por Marlon Brando para lembrar-se de seus textos: escrever os diálogos em cartolinas espalhadas pelo cenário!

Veja a cena polêmica:


Cena de violação em O Último Tango em Paris por naviergo
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